2 de junho de 2010

Deus se revela



"Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis" Rm 1:19-20
Introdução

Deus colocou a eternidade no coração do homem. A idéia de Deus é um fato inescapável a todos, mesmo aqueles que negam sua existência pensam em Deus para poderem negá-lo. Isto acontece porque é impossível ao homem fugir da revelação de Deus que, num certo sentido, é universal.

O que queremos dizer por revelação? É a comunicação por parte de Deus aos homens de fatos que de outra forma ele não poderia conhecer. Revelar é retirar o véu para mostrar algo que estava encoberto, oculto. Quando se trata de fatos a respeito de Deus e de suas obras, revelação é a comunicação que Deus faz de si mesmo, da criação, de seu governo providencial e do destino dos seres morais (homens e anjos), coisas que o homem não pode descobrir apenas com a razão.

É comum a confusão entre revelação, inspiração e iluminação, por estarem relacionadas entre si. Contudo, em seus sentidos teológicos devemos manter a distinção entre elas. Já definimos revelação, como a comunicação divina de uma verdade. A inspiração é a operação sobrenatural pela qual Deus controla os homens no processo de registrar a revelação recebida. Por exemplo, quando Deus avisou José por sonho que Herodes queria matar o menino Jesus foi uma revelação, quando Lucas registrou o fato em seu Evangelho o fez por inspiração. Iluminação, por sua vez, é a operação do Espírito Santo sobre os que lêem a Palavra de Deus, ajudando-os na compreensão. Mais poderia ser dito sobre as relações entre revelação, inspiração e iluminação, mas para os propósitos deste artigo é o bastante.

Soberania de Deus na revelação

Precisamos reconhecer que a revelação é um ato livre de Deus. Se quisesse, Deus poderia deixar a humanidade às cegas acerca de sua existência, de seu poder e de suas obras. Eles jamais poderiam alcançar, por si mesmos, um conhecimento verdadeiro a respeito dEle. Mas aprouve a Deus mostrar-se às suas criaturas.

Ao escolher revelar-se, contudo, Deus não abriu mão de sua soberania e não dá a todos o mesmo tipo e grau de conhecimento acerta dEle. Jesus disse "graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado" (Mt 11:25-26). Embora afirmemos que ninguém há no mundo que não tenha algum tipo de revelação de Deus, não podemos afirmar que Ele se revela pelos mesmos meios e de igual forma a todos.

Além disso, ainda que a revelação seja suficiente para nossa vida na terra e morada no céu, não é exaustiva, mas limitada por Deus. "As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre" (Dt 29:29). Até mesmo esta limitação que Deus impõe em sua revelação denota sua bondade para conosco, pois não poderíamos suportar tanto conhecimento: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora" (Jo 16:12). Creio que nem em toda eternidade conheceremos Deus completamente, posto que é infinito.

Revelação geral e especial

A revelação que Deus dá a todos os homens sem excessão é chamada de revelação comum ou geral. Esta é a revelação de Deus através da natureza (Criação) e da História (Providência), por exemplo.

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor" (Sl 19:1-6). É a mesma revelação referida por Paulo quando escreveu que "os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Rm 1:19).

Em que pese o fato dessa revelação ser universal, ela é insuficiente para a salvação. Nada diz a respeito da morte de Jesus em nosso favor ou da justificação pela graça mediante a fé. Contudo, ela é suficiente para tornar os homens indesculpáveis perante Deus, como diz o texto: "tais homens são, por isso, indesculpáveis" (Rm 1:20).

Para que o homem seja "sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2Tm 3:15) é necessário uma revelação que vá além da revelação natural, chamada de especial. Esta revelação nos foi dada na pessoa de Jesus Cristo e encontra-se registrada na Bíblia Sagrada.

"Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas" (Hb 1:1-3).

Jesus é a revelação tão perfeita de Deus que podia dizer "quem me vê a mim vê o Pai" (Jo 14:9). E esta revelação de Jesus Cristo encontra-se registrada na Bíblia Sagrada, por isso o Senhor disse "examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (Jo 5:39). Tudo o que precisamos saber para nossa vida na terra e para nos preparar para a vida no céu, encontra-se registrada na Escritura que "é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3:16-17).

Nossa atitude diante da revelação

A primeira atitude diante da revelação de Deus é aceitá-la. Paulo afirma que "a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça" (Rm 1:18). Porém, como a revelação de Deus na Escritura revela a nossa impiedade e perversão, nossa reação natural é suprimir essa verdade. Daí a necessidade da graça de Deus, pois "o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1Co 2:14). Sob a operação da graça de Deus chegamos à fé e mediante esta somos justificados.

Tendo recebido a revelação como vinda de Deus, devemos ser gratos a Deus por se mostrar a nós. Lembremos que Jesus referiu-se à revelação de Deus com expressão de gratidão, dizendo "graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos" (Mt 11:25). Com nos era totalmente impossível descobrir Deus sem que se revelasse a nós, devemos agradecer sempre por tê-lo feito. Do contrário, passaríamos a vida inteira tateando no escuro.

Finalmente, devemos adorar a Deus. O grande erro denunciado em Romanos é que os homens "tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (Rm 1:21). Contemplar a glória de Deus revelada na natureza e nas Escrituras sempre deve nos levar a adoração. Paulo exulta dizendo "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36).

Conclusão

Como acabamos de ver todo homem recebe porção do conhecimento de Deus, suficiente para torná-lo inescusável. No juízo final, os homens serão julgados pelas suas obras, de acordo com a luz que receberam. Ninguém poderá alegar que foi injustiçado ou alegar desconhecer as bases de seu julgamento, pois a sua consciência será testemunha contra si. Entretanto, vimos também que a revelação de Deus como salvador veio através de Jesus Cristo, de quem a Bíblia é testemunha. Crendo nEle você não apenas escapa do juízo, mas é levado com segurança ao céu, podendo contemplar Aquele de quem temos apenas réstias de Sua glória.

Leia a Bíblia, creia em Cristo e viva!

Blogagem cristã responsável: a glória de Deus


Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.1Co 10:31

Se manter um blog cristão não chega a ser um ministério, tampouco deveria ser mero passatempo. Também não deve ser um fim em si mesmo, deve sim atender a um objetivo que seja nobre a ponto de ser perseguido, e vericado se está sendo alcançado. E nenhum objetivo poderia ser maior do que este: buscar a glória de Deus.
Nas palavras de Paulo, "outra coisa qualquer" inclui"manter um blog", apesar de ser uma coisa moderna. Em se tratando de um blog que se proponha divulgar o evangelho, a glória de Deus não deve ser mais um objetivo, mas o principal e ao qual todos os outros devem estar subordinados. Se Deus não for glorificado pelo que escrevemos ou publicamos, é vão e pecaminoso tudo o mais.
Mas como isso se daria na prática? A começar com o título do blog, que deve honrar a Deus e não o homem. Alguns títulos de blogs chamam atenção para as qualidades de seu editor, e não para a verdade do evangelho ou para as perfeições de Deus. Não significa, de maneira alguma, que um blog com o nome do seu autor seja errado. Há excelentes blogs com nomes pessoais (vide meus "Blogs Amigos"), que quando acessamos, logo nos esquecemos do autor, pois a verdade expressa nos remete para Deus e Seu Cristo. Mas alguns nomes de blog, infelizmente, dão a clara impressão de que o autor é o último e o principal dos 13 apóstolos.
Mas o que realmente caracteriza um blog que glorifica a Deus é o conteúdo de suas mensagens. Se o que a Bíblia diz sobrepõe-se ao que o blogueiro pensa, se o evangelho é proclamado mais que o erro criticado, se a salvação é dita como exclusivamente em Cristo, pela graça mediante a fé no Deus vivo e verdadeiro e a obediência cristã é requerida por gratidão e amor e não por medo, então Deus é glorificado pelo tal. Por outro lado, se o autor do blog ocupa-se em destacar qualidades humanas - algumas fantasiosas - e a salvação é apresentada como dependendo de forma determinante de algo presente no ou realizado pelo homem e se a segurança dessa salvação está no crente que pode cair e não em Deus que o segura ou levanta, então no mínimo a glória do Senhor é obscurecida.
Finalmente, a glória do Senhor em um blog transparece no que se espera com ele. Se o que se pretende é apenas popularidade (grande número de visitas) ou tirar alguma vantagem financeira, não se pode dizer que a glória de Deus está em primeiro lugar. Por outro lado, um blog que "espanta" visitantes pela verdade que diz, e continua a dizer a mesma verdade, está glorificando ao Senhor.
Este post não é para criticar os blogs nos quais a glória de Deus não é priorizada. O que me inspirou foram blogs nem tão famosos, nem tão bem visitados ou comentados, mas que não mudam para agradar, não pensam em entreter para reter, mas seguem firmes proclamando o evangelho da glória de Deus. Na verdade, invejo admiro tais blogs e glorifico a Deus pelos seus editores, procurando copiar seu exemplo.